Doce X (bala para Cosme e Damião)

Menção especial nos Salões de Artes Visuais da Bahia – Camaçari, 2014.

Um homem banhado por um doce viscoso e dourado embala-se como uma bala de mel para Cosme e Damião.

Parto da performance Pacake de Marcia X para pensar numa alegoria a uma bala de mel, doce distribuído na festa dos santos meninos no Recôncavo da Bahia. Compotas estão dispostas numa mesa. O conteúdo desses recipientes é um doce formado por açúcar e rapadura – produtos que impulsionaram a economia do Brasil Colonial e a consequente escravidão/africanização do país.

Inicio a performance sacando uma pequena colher e começo a me banhar com o preparado ainda quente. O processo de jogar o doce no corpo começa lentamente e progressivamente aumento a velocidade dos meus atos. Num ritmo frenético, encerro essa ação jogando o conteúdo da maior compota sob minha cabeça. Termino completamente embebido pelo doce.

Empós, sento-me num banco, pego uma caixa e tiro de dentro folhas de papel alumínio, celofane e fitas verdes e vermelhas. Num procedimento lento começo a embalar partes do meu corpo. Primeiro a língua, depois os pés, os a mão, e por fim, a cabeça.

Registros: Safira Moreira (fotografia) e Ayrson Heráclito (vídeo)

 

 

 

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